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| REGULARIDADE INSULAR versus REGULARIDADE CONTINENTAL. |
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HÁ DIFERENÇAS ENTRE A MAÇONARIA REGULAR INSULAR E A MAÇONARIA REGULAR CONTINENTAL? POR QUE PREFERIMOS A PALAVRA TRADIÇÃO NA MAÇONARIA REGULAR CONTINENTAL?
Toda a Instituição organizada tem as suas regras estabelecidas. As suas leis e ritos.
Para que uma Grande Loja ou um Supremo Conselho possam ser considerados REGULARES (regularidade continental) há algumas premissas a aceitar e a defender, a saber:
A proclamação de um Princípio denominado de Grande Arquitecto do Universo. A presença do Volume da Lei Sagrada, aberto no altar dos juramentos. Sendo esse Volume a Bíblia. Que a Obediência ou a Potência façam referência à nossa Tradição e aos rituais nos diversos graus. A adesão ao princípio de uma Obediência ou Potência exclusivamente masculina, em conformidade com os Deveres Antigos. O respeito pela referência iniciática. A preservação e conservação dos rituais, que são a expressão oral e gestual do Rito, na sua perfeita execução. Na Obediência desde o 1º ao 3º grau. Na Potência, desde o 4º ao 33º e último grau do Rito Escocês Antigo e Aceite.
A Grande Loja Nacional Portuguesa adoptou, desde a sua fundação, as premissas aqui enunciadas. Trata-se claramente de uma Estrutura maçónica regular, digna representante da Maçonaria Regular em Portugal. Apesar da nossa preferência pela palavra TRADIÇÃO. Os maçons da Grande Loja Nacional Portuguesa trabalham pela unidade e pela Tradição. A dispersão, a fragmentação, a adulteração dos princípios e da Tradição não são uma preocupação do nosso “grupo”. As invocações de legitimidades estranhas efectuadas em reflexões, com base em filosofias insulares, são facilmente desmontáveis perante a força da história, da tradição, do estudo, da investigação e pelo uso da palavra e da escrita dos maçons que compõem o nosso “grupo”.
A Grande Loja Nacional Portuguesa e o Supremo Conselho de Portugal do Rito Escocês Antigo e Aceite são os guardiães e representantes em Portugal da Regularidade e Tradição Maçónica, nos seus princípios intocáveis, do 1º ao 33º grau, conforme os textos fundamentais que os regem. E todos os Irmãos sentem-se profunda e sinceramente vinculados a estes e fazem-no saber também por este meio ao seu alcance, esclarecendo ainda os maçons interessados na investigação e no saber, que, no futuro, não devem confundir REGULARIDADE com RECONHECIMENTO. Referência já explicita e devidamente esclarecida na PARTE I, “ POR QUE SOMOS REGULARES OU TRADICIONAIS?” e já publicada neste sítio.
POR QUE PREFERIMOS A PALAVRA TRADIÇÃO?
Já demos vários exemplos ao longo dos últimos textos sobre a palavra TRADIÇÃO. Deixo agora mais umas observações.
A TRADIÇÃO é a fonte original. Não se pode substituir, esgotar, anular, modificar-se. A TRADIÇÃO vincula algo mais do que ideias. Encarna a história, a vida, que inclui sentimentos, crenças, pensamentos, aspirações e acções. Transmite aquilo que outras gerações sucessivas fizeram por igualmente perdurar. Por isso, os maçons regulares ou tradicionais da Grande Loja Nacional Portuguesa participam nesta realidade, pelo esforço individual e sucessivo, numa comunhão espiritual das almas que sentem, pensam e se querem unidas por um mesmo ideal.
Mas como podemos interpretar os erros de análise efectuadas sobre a palavra “REGULARIDADE”? Qual é o desafio da Maçonaria para o século XXI?
O Homem é sobretudo um ser essencialmente ensinado. A Verdade ainda que, eventualmente, possa estar esquecida pelos homens não é nova. A Verdade existe desde o Princípio. O erro é sempre, esse sim, uma novidade no Mundo. Não tem antepassados. Nem descendentes. Ao ler um texto que me foi presente e publicado num site maçónico percebi que o erro aumenta o orgulho pessoal. Leva a fazer afirmações fantasiosas. Leva a propagar uma ideia e a acreditar ser o seu pai.
A Maçonaria Regular que represento solicita uma evolução do maçon lenta e aprofundada no estudo, na prática, a caminho do transcendente. Desta forma o maçon deve conseguir espiritualizar a sua maneira pessoal de sentir a sua pertença ao Universo. Graças ao estudo dos utensílios simbólicos, pode conhecer melhor os elementos constitutivos da sua existência. Chega a saciar a ignorância original. E aprende que o trabalho e o estudo ajudam a corrigir os seus defeitos e os seus erros. E que todo o homem, maçon ou não, é filho do mesmo Mistério. Desta forma dá conta que pertence a um Mundo mais vasto e não se resume a si como o único, o verdadeiro, o autêntico, o genuíno, uma série de fenómenos individuais, com causas e efeitos, não universais.
Proponho pois aos maçons e a quem consulta este sítio, que reflictam sempre que possível sobre o Homem como ser individual e social, como ser cultural e espiritual. Esta reflexão traduz as preocupações permanentes do Homem confrontado consigo mesmo, com a sua natureza, com o seu devir e o seu destino. Perante os problemas da Liberdade e da Justiça. Da Vida e da Morte. Da Beleza e do Amor.
A Maçonaria Portuguesa, pela diversidade dos seus aspectos é suficientemente rica para quem a procura de boa fé. Encontrará nela o lugar. Independentemente da sua corrente filosófica, humanitária, religiosa, esotérica ou espiritual. Na sua forma masculina, feminina ou mista.
E se os detractores da Maçonaria Universal não têm nada de melhor a propor no seu programa do século XXI, a resposta a dar-lhes é que já em pleno século estas preocupações de regularidade são irrisórias quando a obra que nos honra realizar propõe uma reflexão sobre o Homem e o seu desenvolvimento.
Se quisermos que resplandeça a Luz maçónica tracemos o nosso sulco como nos foi ensinado, aplicando-o com todo o rigor que consigamos. Usemos o Rito Escocês Antigo e Aceite que é um formidável utensílio de Libertação do Homem, valorizando a sua dignidade regenerada pela iniciação.
A Escola Maçónica repousa no aperfeiçoamento do Homem através de uma espiritualidade específica. A sua acção traduz-se na busca de uma relação harmoniosa com os homens, maçons ou profanos. A acção da Maçonaria sobre o Homem, se a Escola Maçónica for adequada e profunda, se houver Escola, busca uma relação de harmonia entre os Homens e o seu fim principal é realizar o estado social, no amplo sentido do termo, sobre esta terra. A sua prática consiste em alcançar um estado do ser que, partindo da reflexão realizada no Templo, tenha efeitos sobre a nossa vida diária como homens.
O Homem do século XXI tem sede de aventura. Mas a aventura não está numa ilha distante. A aventura espera-nos à esquina de cada um dos nossos pensamentos, de cada um dos nossos actos. É aquela aventura que é vivida por cada um de nós próprios. A mais bela aventura, onde se descobrem paisagens desconhecidas, mas iluminadas pela chama que brilha em Nós. E o Rito concede-nos a oportunidade privilegiada de conhecer essa aventura. Cabe-nos a nós sabê-la aproveitar.
Portugal, Palácio Maçónico, 12 de Julho de 2009 O Grão-Mestre, Álvaro Carva
UMA OUTRA NOTA: Há dias um maçon solicitou ao nosso Webmaster que me pedisse que comentasse onde estão as raízes do Rito Escocês Antigo e Aceite?
Permita-me pois que lhe escreva a resposta de forma objectiva: as raízes do Rito Escocês Antigo e Aceite estão na Europa. As fontes da Maçonaria Escocesa terão de ser procuradas na Europa Continental.
Deixo-lhe ainda para essa reflexão a divisa “ORDO AB CHAO” que foi adoptada pelos fundadores do Rito, cujo princípio implica a acção de ordem do caos inicial. Ordem no princípio de ORGANIZADOR, REGULARIZADOR. Vontade de pôr fim, definitivamente, à situação gerada pela anarquia e proliferação de graus escoceses, que havia naquele tempo.
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