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| A ÚLTIMA ENTREVISTA (parcial) ao M.´.R.´.G.´.M.´. |
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![]() ENTREVISTA EXCLUSIVA - Abril/2008 Grão-mestre Álvaro Carva, deixe-nos acompanhar neste seu passeio para podermos concluir as entrevistas. ***
P- Foi pressionado a ficar como grão-mestre para este mandato que termina em 2008?
R- Não. Na Grande Loja Nacional Portuguesa a substituição dos líderes é um desejo natural. Não senti pressão para ficar como para sair. O percurso de um grão-mestre não pode depender de exigências exteriores à sua própria consciência.
P– Como vê o ser humano quando se transforma em velho?
R- A emoção acaba por residir no carácter humano dos homens. A Maçonaria está a tentar fazer o seu trabalho. O que peço é uma maior convicção do governo para valorizarmos os mais velhos, em detrimento da necessidade de reconhecermos o erro. Mas sem exclusão deste.
P- O que pensam os irmãos mais novos sobre a velhice?
R- O mesmo que pensam os profanos. Quando têm 20 anos pensam que os homens de 30 são velhos. E muito mais velhos, se tiverem algumas brancas como eu. Sentem-se incomodados com a velhice. Quando passam a ter mais idade eu ouço dizer que têm "trinta mais 10." Saudável é aceitarmos a nossa idade. Até porque tudo é relativo.
“NUNCA SENTI QUE OS JORNALISTAS ELOGIASSEM A GRANDE LOJA. Neste momento, sinto quase o contrário pelos valores elevados que defendemos e demonstramos.” - ENTREVISTA EXCLUSIVA.
![]() Não percebo esse seu pensamento. A Igreja católica só se aprecia a si mesmo. Nunca se convença que por mais argumentos sérios que possamos acrescentar à memória, à consciência, às razões, nunca a Igreja católica os reconhecerá. São o substrato da sua própria história.
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P- Com os seus 50 anos sente-se ainda um filho?
R- Sim. Imenso. Comigo viaja a memória da imensa dignidade dos meus pais, daqueles que conheci ao longo destes anos, dos velhinhos que adorei conhecer quando era uma criança. E dos meus amigos e família. E, agora, com quase duas décadas de maçonaria, com oito anos de grão-mestre, as amizades profundas dos meus irmãos, novos e velhos. Dos meus colegas de trabalho e dos imensos valores humanos e profissionais que existem na empresa que sirvo. Sinto-me feliz junto do senhor que faz o favor de me servir o café logo de manhã, das pessoas que me preparam uma torrada com um grande sorriso...com é bom estar entre pessoas de bem.
P- Vive em Bragança, viaja incessantemente entre algumas das capitais mais cosmopolitas do mundo – mas sente a ruralidade. É um destino?
R- Sim. Continuarei a viajar sempre que seja convidado. Nunca faço viagens sem convite. E, felizmente, são muitos os convites e já não consigo dar uma resposta satisfatória a todos eles. Tenho apenas 25 dias por ano para estas iniciativas. Mas há sempre um bom amigo ou um bom irmão que me substituirá nas situações emergentes. Mas também me sinto muito bem na ruralidade. Sentado numa pedra a falar com pessoas de grande sabedoria.
P - Como vê a realidade desta Nação? R- Portugal é dos portugueses mas também é fruto de uma universalidade e a nossa gente não deve fazer dele um País sem história.
P – O que quer dizer?
R – Que Portugal é um legado de séculos, de povos que deixaram um legado cultural de grande valor. Fazer dele um País do século XVIII ou do século XIX ou XX é fechar nestes séculos a história de uma Nação.
P – Mas Portugal tem também uma fronteira.
R- Claro! A existência desse Estado com fronteiras é antecedida de outro Estado sem qualquer fronteira. Portugal também é uma consequência da Reconquista Cristã.
P – Onde encontram esses valores?
R- Então...na arqueologia, na religião, na linguagem, nos costumes, nas instituições.
P- São assim tão importantes?
R- Negá-los é um erro. A cegueira que um maçon tradicional não cultiva nem pode negar.
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P- Está a fazer uma favor à Igreja católica?
R- Em quê? A Maçonaria Tradicional não é incompatível com qualquer religião. Nem com qualquer escola filosófica, doutrinal ou com outro tipo de estilos antigos ou modernos.
P – Mas a Igreja católica aprecia este seu acto.
R- Não percebo esse seu pensamento. A Igreja católica só se aprecia a si mesmo. Nunca se convença que por mais argumentos sérios que possa acrescentar à memória, à consciência, às razões, nunca a Igreja católica os reconhecerá. São o substrato da sua própria história.
P - Mas teve um papel relevante a favor de Portugal.
R – Todos têm tido um papel relevante para esta Nação com fronteiras. Mas não creio que tenha sido a Igreja católica a ter um papel relevante mas as condições políticas e religiosas dos séculos X e XI. Mas não se esqueça que houve muitos séculos antes desta noção geográfica que também não podemos perder.
P - Como vê essa influência nos séculos X e XI?
R- Como sabe os reis leoneses pretendiam efectuar o alargamento das suas fronteiras, conquistando o seu espaço aos territórios ocupados pelos muçulmanos. Foi militar esse desejo, na sequência da determinação política. Pretendiam assim fortalecer a monarquia. Mas houve um ideal religioso na expressão da cruzada. Diria que se tratava da manutenção do espírito cristão.
...
P- Grão-mestre Álvaro Carva vale a pena a Maçonaria continuar a atingir a paz da alma pelos valores?
R- Não compreendo. Que tipo de valores para a paz está a quer referir-se? Pela guerra?(sorrisos)
P- Pelo saber positivo.
R- Claro! Não sendo os maçons homens estóicos, nem epicuristas, o saber positivo é um excelente meio, como diz, para se atingir a paz da alma.
P – Mas há quem atinja os mesmos objectivos pela condenação desses valores.
R- Atingir metas para alguns homens pode ser pela condenação do saber. Mas para os maçons essa paz da alma centra-se no saber positivo, apesar de termos graus maçónicos que confrontam o cepticismo, o contrário, para assim valorizarmos o bem.
P- Recorrendo ainda ao contraponto religião - maçonaria, há algum diferendo entre estas duas seculares Instituições?
R – Nunca a maçonaria tradicional teve ou terá qualquer intervenção contra outras Instituições que são muitos úteis e servem Portugal. Por isso, estamos sempre disponíveis a promover o confronto de opiniões, a confrontar opiniões e estudos, disponíveis para debates, mas a Maçonaria não se autopromove. O Trabalho maçónico não está em realçar o valor da Maçonaria.
P – Dê-me uma definição de Maçonaria.
R – Não precisa das minhas definições. Deixo-lhe a de Saly Mamede – “A Maçonaria é a inteligência do homem voltada para o bem”.
P – Pode-me citar um poema?
R- Entrego-lhe amanhã um pequeno texto de um autor conhecido que pode colocar como resposta e espero assim ser-lhe útil. Dois dias depois recebi:
Se não te orgulhas do que fazes, quem se orgulhará? Se não tens respeito pelas tuas acções, quem deverá ter? Se és capaz de te enganar a ti mesmo, a quem não enganarás? Se colocas fé nas mais puras emoções, por que te revoltas de levar uma existência amarga? Se destróis todas as estradas que te fazem afecto, por que te lamentas da solidão em que vives? Se teimas em plantar mal e tristezas, por que te surpreendes quando germinam decepções? ... Se nunca te decides a partir, por que anseias tanto em chegar? Se não tens fé, nem sonhas, nem te empolgas, por que acusar o mundo de ser árido, frio e sem bondade?
Por quê?...
PARTE VIII da entrevista efectuada em 07 de 2007.(continuará numa próxima publicação) – FJA, 2007
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